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Guia do Mosteiro dos Jerónimos
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História do Mosteiro dos Jerónimos: da ermida à UNESCO

Atualizado:

Duas janelas de arco com molduras vermelho-escuras abertas numa parede de pedra clara e rodeadas de colunas torcidas elaboradamente esculpidas e ornamentos de pedra

Resposta curta. O Mosteiro dos Jerónimos, em Lisboa, nasceu de uma pequena ermida para marinheiros em Belém. O rei D. Manuel I cedeu o local a monges da Ordem de São Jerónimo, a construção começou em 1501 ou 1502, e a obra durou cerca de um século sob quatro mestres sucessivos. Os monges ficaram até à extinção das ordens religiosas em 1833 e 1834, e depois a Casa Pia ocupou o edifício até 1940. A UNESCO classificou-o em 1983. Este artigo segue o site do próprio monumento, a ficha da UNESCO e dois guias de domínio público, tudo lido a 24 de outubro de 2026: Spain and Portugal, de Karl Baedeker (4.ª edição, Leipzig, 1913), e A Handbook for Travellers in Portugal, de John Murray (3.ª edição, Londres, 1875). Os guias antigos refletem a sua própria época e têm erros, por isso lemo-los como testemunhas. As citações dos guias são traduções nossas. Quando as fontes divergem, dizemo-lo.

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Mosteiro dos Jerónimos: bilhete de entrada

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Uma tabela de datas

Data O que aconteceu Fonte
1459 O infante D. Henrique manda ampliar uma antiga ermida no Restelo O site do monumento
1495 a 1496 D. Manuel I pede à Santa Sé licença para fundar uma casa jerónima no lugar da ermida, e obtém-na O site do monumento
1497 Vasco da Gama faz vigília aqui antes de a armada partir para a Índia (7 e 8 de julho) O site do monumento; Baedeker, p. 505; Murray, p. 26
1500 A armada de Pedro Álvares Cabral parte para o Brasil O site do monumento
1501 ou 1502 Primeira pedra; as fontes divergem O site do monumento; UNESCO; Murray, p. 26
1502 a 1516 Diogo de Boitaca dirige as obras O site do monumento
1517 João de Castilho assume sozinho a direção; o portal sul constrói-se em 1517 a 1518, o portal ocidental, de Nicolau Chanterene, em 1517 O site do monumento
1540 a 1541 Completa-se o piso superior do claustro O site do monumento
1557 a 1562 Nova capela-mor encomendada pela rainha D. Catarina, em mármore, segundo um projeto de Jerónimo de Ruão O site do monumento
1755 Terramoto; muito poucos danos segundo Murray Murray, p. 27
1833 a 1834 Extinguem-se as ordens religiosas; instala-se a Casa Pia (1834 a 1940) O site do monumento; Baedeker, p. 505
1878 Desaba um edifício central em construção; morrem dez operários O site do monumento
1880 Túmulos neomanuelinos de Camões e de Vasco da Gama; os restos são levados para a igreja O site do monumento; Baedeker, p. 506
1888 Túmulo de Alexandre Herculano na sala do capítulo O site do monumento; Baedeker, p. 507
1907 Monumento Nacional UNESCO; o site do monumento
1940 A Casa Pia sai; mais restauros para a Exposição do Mundo Português O site do monumento
1983 Património Mundial da UNESCO, juntamente com a Torre de Belém UNESCO
1985 Os restos de Fernando Pessoa são levados para o claustro O site do monumento
2007 O Tratado de Lisboa é assinado aqui a 13 de dezembro Wikipédia em inglês, italiano e japonês

Uma ermida para marinheiros

No final do século XV o Restelo, junto a Belém, era uma pequena aldeia e um porto abrigado de Lisboa. Segundo o monumento, em 1459 o infante D. Henrique, conhecido como o Navegador, mandou ampliar uma antiga ermida. Foi entregue à Ordem de Cristo e tomou o título de Nossa Senhora dos Reis, ou Santa Maria de Belém. Murray (1875, p. 26) descreve-a como “uma pequena ermida fundada para uso dos marinheiros pelo infante D. Henrique” (tradução nossa).

As caravelas de Vasco da Gama partiram daqui, segundo o monumento. Gama rezou e fez vigília na ermida na véspera da partida da armada para a Índia, a 7 de julho de 1497, e a armada de Pedro Álvares Cabral para o Brasil em 1500 saiu da mesma maneira. Baedeker (1913, p. 505) escreve que “Vasco da Gama passou aqui a noite antes de partir na sua viagem de descobrimento (8 de julho de 1497)” (tradução nossa). Baedeker e Murray dão 8 de julho para o dia da partida, e o monumento dá a vigília a 7, por isso os relatos encaixam.

O rei, os monges e a primeira pedra

Em meados da década de 1490, em 1495 ou 1496 conforme a fonte, D. Manuel I pediu à Santa Sé licença para substituir a ermida da Ordem de Cristo por uma casa de monges jerónimos. Três anos depois, diz o monumento, o rei entregou o local do Restelo à Ordem de São Jerónimo. O monumento interpreta a escolha como política: os jerónimos estavam ligados ao culto dinástico castelhano, o que correspondia à esperança de D. Manuel numa futura união das coroas, na linha dos seus casamentos com infantas espanholas. Essa é a interpretação do monumento. A UNESCO descreve o mosteiro como uma fundação real de D. Manuel I, entregue aos monges para que rezassem pelo rei e dessem assistência espiritual aos marinheiros que partiam de Lisboa, e construído também para manter viva a memória do infante D. Henrique.

A primeira pedra é datada de 6 de janeiro de 1501 ou 1502 no site do monumento, o dia da Epifania, escolhido como paralelo de um novo Belém bíblico. A UNESCO diz que a construção começou em 1502. Murray (1875, p. 26) diz que o rei lançou a pedra ele próprio em 1500, e Baedeker (1913, p. 505) escreve que o fez poucas semanas depois do regresso de Gama, em 1499. Por isso dizemos apenas que as obras começaram nos primeiros anos do século XVI. A pedra é sobretudo lioz, um calcário pálido e duro cheio de fósseis, de pedreiras próximas. A capela-mor, de 1557 a 1562, é de mármore de Estremoz.

A Ordem de São Jerónimo nasceu em Itália no século XIV, segundo o monumento. A bula de Gregório XI de 1373 estabeleceu-a na Península Ibérica, e a primeira casa portuguesa foi fundada por Vasco Martins na Penha Longa, em Sintra, em 1390. A ordem é puramente ibérica. Acabou em Portugal em 1833 e 1834, e ainda existe em Espanha. O seu hábito é branco, com escapulário e capuz castanhos.

Os mestres

O monumento nomeia sucessivamente quatro mestres.

As fontes não concordam sobre quem fez o quê em vários pontos. O monumento atribui a planta do claustro a Boitaca e o seu piso superior a Castilho e Torralva, enquanto Baedeker (1913, p. 506) chama ao claustro a obra-prima de Castilho. Para o portal sul o monumento nomeia Castilho, enquanto Baedeker (1913, p. 505) dá as suas esculturas ao “mestre Nicolau, o francês”, e o monumento atribui a Nicolau Chanterene o portal ocidental. Atribuímos a Castilho apenas o desenho do portal sul. As próprias páginas do monumento não são coerentes sobre a parte de Torralva na capela-mor e no coro, por isso damos apenas a capela-mor de Ruão. Também não damos data para o cadeiral do coro: o monumento diz que é de Diogo de Sarça, e Baedeker data-o de 1560.

O terramoto de 1755

Murray (1875, p. 27) diz que o edifício assenta sobre estacas de madeira de pinho e “quase não sofreu danos no grande terramoto” (tradução nossa). Uma pequena parte de uma abóbada danificada caiu cerca de um ano depois, acrescenta. É a única fonte que lemos sobre o assunto, porque as páginas do monumento não mencionam o terramoto.

1833: os monges saem

Com a extinção das ordens religiosas em 1833, o mosteiro caiu no abandono e perdeu parte do seu recheio, diz o monumento. A Casa Pia, uma instituição que acolhia órfãos, mendigos e desfavorecidos, ocupou as instalações de 1834 a 1940. Baedeker (1913, p. 505) conta cerca de 500 alunos e fala de acrescentos de 1859, segundo um desenho que acha muito pouco satisfatório, dos pintores Rambois e Cinati, e Murray (1875, p. 34) diz que no seu tempo a escola admitia apenas rapazes. O monumento nomeia os italianos Rambois e Cinatti como cenógrafos do Teatro São Carlos, que trabalharam no bloco do dormitório. Em 1878 desabou o bloco central em construção e morreram dez operários.

Neomanuelino e os túmulos

As obras do século XIX inspiram-se no neomanuelino, um renascimento romântico que acrescenta motivos náuticos. O monumento nomeia as arcadas de janelas geminadas do primeiro piso do dormitório, uma sala do capítulo reconstruída atribuída a Raimundo Valadas e o restauro do piso superior do claustro em 1886. Diz que a maior parte da decoração marinha que hoje se vê, cordas, peixes, âncoras e navios, está nestas partes restauradas. Os arcos dos túmulos de Camões e de Vasco da Gama, de António Augusto da Costa Motta, foram esculpidos para o terceiro centenário de Camões em 1880, quando os restos de ambos foram levados para a igreja. Baedeker (1913, p. 506) confirma 1880 e situa os dois caixões no braço direito do transepto. Hoje os túmulos estão no subcoro, à entrada, segundo o monumento. A Wikipédia em inglês põe em dúvida que os restos sejam o que se diz, o que não conseguimos verificar numa fonte primária.

O túmulo de Fernando Pessoa não pertence a este período: os seus restos chegaram ao claustro em 1985, no 50.º aniversário da sua morte.

Do século XX ao Tratado de Lisboa

Nas primeiras décadas do século XX desmontaram-se os órgãos do coro-alto e instalaram-se os vitrais da fachada sul, de João Abel Manta, segundo o monumento. A Exposição do Mundo Português de 1940 trouxe mais restauros, e a Casa Pia deixou o edifício.

O edifício do Estado alberga hoje três instituições. Segundo o monumento, o Museu de Marinha está na parte oeste, o Museu Nacional de Arqueologia está no bloco central dos antigos dormitórios, e o claustro e a igreja são geridos pelo organismo dos museus do Estado, com a igreja aberta ao culto. Baedeker (1913, p. 507) regista que no seu tempo a extremidade oeste da ala sul albergava o Museu Ethnologico Portuguez, ali desde 1903. Hoje o museu de Arqueologia está encerrado para obras e o Museu de Marinha está aberto.

O mosteiro foi Monumento Nacional em 1907 e, com a Torre de Belém, Património Mundial da UNESCO em 1983, segundo os critérios iii e vi. A UNESCO liga diretamente o conjunto à Era dos Descobrimentos. O site do monumento fala também do estatuto de Panteão Nacional desde 2016. Segundo a Wikipédia em inglês, italiano e japonês, o Tratado de Lisboa foi assinado no mosteiro a 13 de dezembro de 2007. Não conseguimos ler uma fonte da UE sobre isso, por isso citamos a enciclopédia.

Para o que se pode ver hoje, leia o que ver. Para as regras do dia, consulte as dicas de visita, e para saber como funciona o bilhete com horário de entrada, o guia de bilhetes.

Quem construiu o Mosteiro dos Jerónimos e quando?

O rei D. Manuel I fundou-o em Belém, no local de uma ermida mais antiga. O site do monumento dá a primeira pedra a 6 de janeiro de 1501 ou 1502, e a UNESCO diz que as obras começaram em 1502. Diogo de Boitaca dirigiu a obra até 1516, João de Castilho desde 1517, Diogo de Torralva desde 1540, e Jerónimo de Ruão construiu a nova capela-mor depois de 1557. O monumento diz que o mosteiro estava em grande parte concluído pouco mais de cem anos depois do início.

O terramoto de 1755 danificou o Mosteiro dos Jerónimos?

O guia de Murray de 1875 diz que o edifício quase não sofreu danos no grande terramoto e que uma pequena parte de uma abóbada danificada caiu cerca de um ano depois. As páginas do monumento que lemos não mencionam o terramoto, por isso isto assenta nesse guia antigo.

O que aconteceu ao mosteiro no século XIX?

Segundo o monumento, as ordens religiosas foram extintas em 1833 e 1834, e a Casa Pia, uma instituição para órfãos e pobres, ocupou as instalações de 1834 a 1940. Um edifício em construção no centro desabou em 1878 e morreram dez operários. Seguiram-se restauros neomanuelinos, e os túmulos de Camões e de Vasco da Gama foram feitos em 1880.

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